Ex-bolsista do Ciência sem Fronteiras é o primeiro brasileiro civil a ir para o espaço

O estudante brasiliense Pedro Nehme vai viver, nos próximos meses, uma das experiências mais incríveis que um jovem cientista poderia sonhar. Aluno de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (Unb) e bolsista da primeira turma do Ciência sem Fronteiras, Pedro será o primeiro brasileiro civil a fazer uma viagem ao espaço.

Antes dele, só o astronauta paulista Marcos Pontes, tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB), realizou uma experiência semelhante. Há alguns dias, a própria presidenta Dilma Rousseff cumprimentou o estudante – que hoje é bolsista da Agência Espacial Brasileira – por meio de sua conta no Twitter.

Nehme fará um vôo suborbital entre o final deste ano e o ano que vem, a bordo da nave espacial Lynx, desenvolvida pela empresa americana XCor. Ele conquistou a vaga após vencer um concurso internacional, promovido pela companhia aérea holandesa KLM com outros 129 mil concorrentes de todo o mundo.

O estudante venceu a competição ao prever onde – local, altitude, latitude e longitude – iria estourar um balão cheio de hélio, lançado do Deserto de Nevada, nos Estados Unidos (EUA). Entre todos os concorrentes, Pedro foi o que mais se aproximou do ponto em que o balão estourou e, por essa razão, foi premiado com a viagem ao espaço.

Ciência sem Fronteiras e estágio na Nasa

Encantado desde a infância pela área espacial, Pedro estagiou por nove meses na Nasa, nos EUA. Lá ele trabalhou na área de balões de alta altitude, dentro da Divisão de Astrofísica da agência espacial americana, uma base que ele acredita que possa ter contribuído para que vencesse o concurso.

Pedro alcançou essa chance após conseguir uma bolsa para um intercâmbio na Catholic University of America, em Washington (EUA). Ele fez parte da primeira turma do programa Ciência sem Fronteiras, lançado pelo governo federal, em 2011. “A experiência do Ciência sem Fronteiras é muito enriquecedora. Você passa muito tempo dentro dos melhores institutos de ciências e tecnologias do mundo. Além disso, você tem contato com grandes professores. Foi através de uma professora da universidade americana, por exemplo, que eu consegui um estágio na Nasa. Foi uma oportunidade sensacional, em que eu passei desenvolvendo sistemas junto de outros alunos americanos e aprendendo com os mentores na Nasa. São coisas que eu guardo e coloco em prática até hoje”, lembra.

Nehme enfatizou ainda como o Ciência sem Fronteiras tem contribuído para elevar a qualidade do ensino superior no Brasil. Segundo ele, os bolsistas voltam para suas universidades de origem trazendo experiências de lugares diferentes do mundo, o que tem contribuído para enriquecer o debate e a pesquisa desenvolvida no Brasil. Ele também destacou como sua experiência no exterior fez com que ele constatasse a qualidade da formação em engenharia existente no Brasil.

“Quando a gente volta do Ciência sem Fronteiras traz a experiência de vários países para o mesmo ambiente: a universidade brasileira. A gente tem uma ideia do que está sendo feito na Europa, nos EUA, na Ásia. E, aí, podemos discutir as experiências mais avançadas e tentar colocá-las em prática aqui no Brasil. Eu pude perceber também a qualidade da formação de engenharia no Brasil, que é muito boa. A base que a gente tem aqui torna a gente competitivo lá fora,” ressaltou.

Expectativa

Pedro também falou ao Blog do Planalto sobre sua expectativa para a viagem a bordo na nave Lynx, que terá duração de aproximadamente uma hora. No vôo, ele levará um experimento que está sendo desenvolvido por uma escola pública de educação básica brasileira em parceria com alguma universidade do País e que será selecionado pela Agência Espacial Brasileira.

“A minha expectativa é grande, já que é uma experiência muito diferente essa que eu vou viver. Mas que eu acho que pode ter uma grande contribuição para o setor aeroespacial e é aí onde está grande parte da minha expectativa, já que eu vou levar para o espaço um experimento da Agencia Espacial Brasileira, que está sendo desenvolvido por uma escola pública e por uma universidade brasileira. É algo que dá uma perspectiva profissional para a viagem e de onde eu acho que vão sair os maiores frutos dessa experiência,” comemora.

Ele ainda finaliza contando que tem se apoiado na preparação que tem feito para controlar a ansiedade. Para suportar a viagem, Pedro já fez treinamentos na centrífuga Phoenix, na Filadélfia (EUA), e fez testes de gravidade zero na Rússia. Para Nehme, a experiência deve mudar também sua visão sobre o seu papel no mundo.

“Todos os astronautas dizem que não interessa o quanto os outros descrevam. É uma sensação que você só vai sentir se você realizar a viagem. Hoje, por exemplo, já tem câmeras na estação espacial internacional onde você pode ver a Terra de fora e tudo mais… Mas nada substitui você estar dentro de uma nave dessas, realizando o vôo e vendo a Terra de fora. Dizem que é algo que mexe muito com a visão do seu papel no mundo e você tem a noção de que está em dos locais mais especiais do Universo”, conclui.

Aplicativo brasileiro permite que pessoas com deficiência na fala se comuniquem

Carlos Edmar Pereira, de Recife (PE), tem a força, a persistência e a criatividade que são peculiares ao povo brasileiro. Sua filha Clara, que hoje tem sete anos de idade, passou a ter paralisia cerebral devido a um erro médico. Para ajudar sua filha a vencer a dificuldade em se comunicar, Carlos desenvolveu um aplicativo para tablet que a permitisse falar e muito mais.

Assim nasceu o Livox. O primeiro software de comunicação alternativa em português do mundo. Ele ajuda pessoas com deficiências que impedem ou atrapalhem a fala a se comunicar (o app efetivamente fala por essas pessoas), a aprender a ler e a escrever, além de outros conceitos complexos como a matemática. Mas cada deficiência impõe dificuldades específicas a superar. Seria possível atender às necessidades de cada uma dessas pessoas? Carlos pensou nisso! Ele desenvolveu algoritmos inteligentes que fazem com que o Livox se ajuste a diversas deficiências.

“Não importa se a pessoa tem deficiência visual, cognitiva ou motora. O Livox se ajusta automaticamente a cada deficiência”, explica Carlos. Ele conta que até mesmo pessoas com cegueira total conseguem usá-lo.

E depois de quatro anos de trabalho, mais de 10 mil pessoas com deficiência de todo o Brasil estão usando o Livox. Em Recife, a prefeitura adquiriu 5 mil licenças, de modo que todas as escolas e hospitais podem fazer uso do aplicativo.

Carlos conta que vários estudos estão sendo realizados com o software. No Hospital das Clínicas da USP, está sendo usado na UTI e na área de cirurgia de cabeça e pescoço.

Em dezembro, o Livox recebeu o prêmio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como A Inovação Tecnológica com o Maior Impacto de 2014. Em fevereiro deste ano, em Abu Dhabi, concorrendo com app’s de 178 países, foi eleito pela ONU o Melhor Aplicativo de Inclusão Social do Mundo.

“No Brasil, 15 milhões de pessoas com deficiência não falam. São pessoas com paralisia cerebral, sequelas de derrame, autismo e diversas doenças e deficiências que impedem o processo de fala. Essas pessoas, em geral são prisioneiras em seus próprios corpos”, conta Carlos. O desafio dele é contribuir para que essas pessoas possam conseguir se comunicar melhor. E o aplicativo já está ultrapassando fronteiras, chegando a países de língua árabe, à Coréia do Sul, ao Japão e a muitos outras partes do mundo. O Livox já “fala” 25 idiomas!

Assista ao vídeo e conheça mais sobre a garra e a visão desse brasileiro.

Médica brasileira conquista prêmio da Sociedade Americana de Endocrinologia

A médica brasiliense Valéria Guimarães tem dedicado os últimos 20 anos de sua carreira à conscientização sobre a questão da obesidade e discussões no campo da endocrinologia. O reconhecimento veio agora, com a escolha de Valéria para o prêmio Laureate Award Winners, concedido pela Sociedade Americana de Endocrinologia.

Valéria foi a vencedora na categoria “Outstanding Public Service Award” (Prêmio por Serviço Público Extraordinário), oferecido a especialistas que demonstrem dedicação à conscientização pública ou ao serviço público, em apoio ao campo da endocrinologia e dos pacientes que sofrem de doenças endócrinas. É a primeira brasileira a vencer nessa categoria.

Mas a trajetória de Valéria começou muito antes, quando ela se formou em Medicina pela Universidade de Uberlândia, em 1987. De lá, fez residência em São Paulo e seguiu para os Estados Unidos para completar a formação em Endocrinologia. Em 1997, ela voltou a Brasília e começou a perceber a falta de informação dos pacientes sobre questões ligadas à obesidade e, sobretudo, às doenças da tireoide. “Naquela época, o conhecimento era pouco. Algumas pessoas achavam inclusive que tireoide era uma doença e não uma glândula que todos possuímos e que pode causar doenças em pessoas de todas as idades”, lembra.

Diagnosticada com doença incurável, atleta baiana entra no Guinness e conquista medalha paralímpica

Protagonista de uma história de força de vontade e de determinação, a nadadora da seleção brasileira de paranatação Verônica Almeida é antes de tudo uma obstinada em superar os próprios limites. Diagnosticada em 2007 com a síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença degenerativa – ainda sem cura – que limitou o movimento de suas pernas e de seu braço direito, Verônica entrou para o Livro dos Recordes, em janeiro deste ano, como a atleta mais rápida a nadar 10 km em mar aberto com apenas um braço.

A educadora física baiana, de 39 anos, completou o desafio com o tempo de 3h44min07s. Ela ainda superou a distância de 10km proposta pelo Guinness e completou os 12,5 km do percurso entre a ilha de Mar Grande, em Vera Cruz, na Bahia, e o Porto da Barra, em Salvador (BA).

“A travessia foi para mim muito difícil e significou a superação das minhas limitações físicas e do meu medo do mar. Na verdade, ter conseguido concluir a prova tornou-se hoje o meu maior troféu. Muita gente me dizia que era impossível concluir, inclusive o meu antigo técnico. A entrada no Guinness também foi a realização de um sonho”, comemora.

Diagnóstico

Quando recebeu o diagnóstico da síndrome de Ehlers-Danlos, há oito anos, os médicos chegaram a dizer à Verônica que ela teria apenas mais um ano de vida. Em virtude do diagnóstico, Verônica, que atuava como personal trainner, foi demitida da academia em que trabalhava, em Salvador. Foi quando ela passou a utilizar o esporte como instrumento para superar as próprias limitações e se manter viva:

“Eu encontrei na natação a retomada das minhas forças. O meu coração estava parando e eu precisava acelerá-lo. Como eu não podia mais andar, eu fui nadar. E logo vieram os resultados que geraram uma reviravolta na minha vida. Sem a natação, com certeza, hoje eu não estaria viva”, lembra.

Os bons resultados levaram Verônica para à seleção brasileira de paranatação. No ano seguinte, ela conquistou uma medalha de bronze nas Paralimpíadas de Pequim nos 50m borboleta e, em 2010, no Campeonato Mundial de Paranatação, na Holanda. De lá para cá, ela já participou de dezenas de competições internacionais, nas quais já acumula mais de 150 medalhas.

Atualmente, Verônica – que é mãe dos gêmeos Marcelo e Bianca, de 10 anos – treina com a seleção brasileira, em Uberlândia (MG). Além disso, se tornou voluntária num tratamento experimental com células-tronco que tem estabilizado a evolução da doença.

Para o técnico da seleção nacional de paranatação, Alexandre Vieira, o Brasil ainda ouvirá falar muito da Verônica em 2016. “Eu sou testemunha do que é a garra e a determinação dessa mulher. Vocês não imaginam o que ela faz todos os dias nos treinos. Além disso, ela uma referência muito grande para toda a seleção”, revela.

Documentário

A história de superação de Verônica também será tema do documentário Quebra Mar, que contará a história de vida da nadadora, desde a descoberta da síndrome, em 2007, até os dias atuais. O foco é na sua trajetória como atleta, incluindo a cobertura da batida do recorde, na Baía de Todos os Santos e a conquista da medalha paralímpica, em Pequim. As gravações acontecem há um ano e meio e devem ser finalizadas no Mundial de Paranatação deste ano, em Glasgow, na Escócia.

Carioca desenvolve aplicativo que ajuda a controlar consumo de energia

O programador carioca Claudioney Loureiro, de 33 anos, não estava satisfeito com os gastos mensais em energia. Achava o consumo alto para sua família e decidiu criar uma ferramenta para ajudá-lo a controlar as despesas e, ao mesmo tempo, identificar os vilões do consumo de energia em sua casa.

Foi assim que surgiu a ideia do aplicativo Cálculo Consumo de Energia. Com ele, Claudioney começou a calcular a quantidade de energia que cada aparelho consumia e com isso tomou algumas medidas. “Usando o aplicativo, descobri que dois aparelhos da minha casa, um ar condicionado e a geladeira, estavam consumindo muita energia. O aparelho de ar era bem velho e aí decidi substituir por um novo. Com relação à geladeira, descobri que estava com um problema no termostato e isso fazia o consumo ser muito alto. Para se ter uma ideia, por dia eu gastava 15 kw a cada 24 horas e hoje eu gasto em média de 2 a 4kw a cada 24 horas”, conta.

Esses pequenos reparos, aliados a mudanças na casa, fizeram com que o consumo de energia de Claudioney, sua esposa e a filha caísse substancialmente. “Acho que consegui economizar meus gastos em mais de 15% por mês”, garante. Ele classifica os reparos e mudanças na casa um investimento, e não uma despesa. “O que você gasta substituindo uma lâmpada, trocando a janela de madeira por uma de vidro, em pouco tempo se converte em economia na conta de luz”, avalia.

O que era para ser uma ferramenta pessoal de acompanhamento de gastos acabou se transformando em um aplicativo disponível para download e surpreendeu o idealizador em termos de receptividade. “Eu coloquei ele para download e me surpreendi que várias pessoas baixaram, comentaram e mandaram sugestões de melhorias. E foi com base nessas melhorias que estou trabalhando em uma atualização e ela deve estar disponível em breve”, afirma.

Para Claudioney, a conscientização do consumo deve ser uma preocupação de todas as pessoas, não apenas por conta dos gastos, mas também pela questão ambiental. “Acho que as pessoas hoje em dia estão se preocupando mais com isso. Não somente em diminuir o consumo como também procurar meios alternativos. Esse aplicativo é a minha contribuição, de certa forma”, finaliza .

“Passei por unidades estritamente masculinas e nunca me senti diferente ou menos respeitada”, diz primeira mulher a comandar unidade da FAB

A Força Aérea Brasileira faz parte da vida da coronel médica Carla Lyrio Martins. Com 25 anos de dedicação à carreira militar, Carla diz que os principais momentos de sua trajetória se misturam com a corporação. E a partir de agora ela própria passa a fazer parte da história da FAB ao se tornar a primeira mulher a comandar uma unidade militar. Carla acaba de assumir o comando da Casa Gerontológica Brigadeiro Eduardo Gomes, no Rio de Janeiro, que presta atendimento integrado de saúde e bem estar a pessoas idosas.

Carla ingressou na FAB pouco depois de concluir o curso de medicina na Faculdade de Medicina em Petrópolis. “Eu estava no sexto ano da faculdade e alguns colegas conversaram sobre a oportunidade de ingressar como oficial médico. Já havia mulheres do quadro da FAB, mas não na área médica. Eu me inscrevi no concurso e fui fazer a prova. Lembro bem que eram apenas cinco vagas e quando cheguei para a prova, o ginásio do Vasco, no Rio de Janeiro estava lotado. Mas fiquei muito feliz quando fui aprovada. Era a primeira vez na história da corporação que as oportunidades de ingresso eram iguais”, lembra.

Desde o curso de formação às primeiras missões, Carla diz que sempre foi muito bem recebida e não sentiu qualquer tipo de tratamento diferenciado pelo fato de ser mulher. “A Força Aérea valoriza o trabalho, independente de gênero, cor ou origem. Passei por unidades estritamente masculinas e nunca me senti diferente ou menos respeitada pelo fato de ser mulher”, garante.

Carla já serviu em diferentes lugares do país e diz que se sente privilegiada em ter conseguido conciliar a carreira médica com a militar. “Construí minha vida na Força Aérea. Ela esteve presente em momentos especiais da minha vida”, afirma. A coronel médica conta que seu casamento foi um destes momentos especiais em que carreira militar e vida pessoal se mesclam. Ela e o marido que conheceram na FAB e se casaram em Belo Horizonte. Por coincidência, o esquadrão em que servia teve de parar na capital mineira para reabastecer a aeronave. Então, os militares do esquadrão aproveitaram e fizeram uma surpresa para ambos, comparecendo e prestigiando o casamento.

No início deste ano, Carla diz que recebeu um “presente”: o convite para comandar a Casa Gerontológica Brigadeiro Eduardo Gomes, que presta atendimento multidisciplinar a pessoas idosas. Para ela, seus principais desafios e motivações é realizar o trabalho com dedicação e entusiasmo. “Meu objetivo no momento é me dedicar a essa nova função, manter a qualidade do atendimento que hoje é realizado na Casa e contribuir para o trabalho da equipe”, afirmou.

A coronel diz que espera que seu pioneirismo possa estimular e motivar outras mulheres que estão na carreira militar. “A mulher entra e se propõe a fazer um bom trabalho. Vejo que as oportunidades que eu tive estão disponíveis para quem tem interesse, estuda e trabalha com muita dedicação. Estou muito honrada em ter chegado aonde cheguei e ter sido reconhecida por isso”, finaliza.

Aluna brasileira vence projeto de ideias inovadoras da Universidade de Harvard

Com apenas 19 anos, a estudante Georgia Gabriela Sampaio se destacou no fim do ano passado ao vencer projeto de ideias inovadoras, da Universidade de Harvard. A baiana de Feira de Santana foi até os Estados Unidos para apresentar um projeto sobre endometriose. A proposta de Georgia é criar um kit para fazer o diagnóstico da doença de forma mais rápida e simples.

Georgia se interessou pela doença há três anos, quando uma tia teve endometriose e precisou retirar o útero. “O caso dela foi complicado porque ela passou muito tempo sem saber que estava com a doença e chegou ao nível grave, e teve que tirar o útero. É uma doença que as pessoas conhecem pouco. O diagnóstico final é muito caro e o inicial é ineficiente. A ideia desse diagnóstico é apontar para a mulher que a dor que ela sente pode ser uma doença muito grave”, explica a estudante. A doença atinge de 10% a 15% das mulheres que estão em idade reprodutiva e, além de provocar dores fortíssimas, pode causar a infertilidade.

Ela começou a fazer pesquisas, conversar com professores e acabou recebendo a ajuda de um pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foi quando surgiu a oportunidade de se inscrever no programa criado pela Harvard que incentiva projetos de inovação social, desenvolvidos por jovens de todo o mundo, que possam ter impacto na comunidade onde vivem. Georgia atua em trabalhos voluntários em sua comunidade desde os 12 anos, realizando doações para crianças carentes.

Para ela, seu sonho é ver seu projeto sendo usado nos hospitais públicos brasileiros. “Se você produzir um artigo científico e apresentar para a Fiocruz, e eles conseguirem produzir um protótipo da sua ideia, ela pode ser implementada em toda a saúde brasileira. O que seria muito positivo, pois estaria à disposição da população. Meu alvo é esse, colocar o diagnóstico de endometriose no SUS”, acredita Georgia.

Aluno de escola pública de Fortaleza acerta 95% do Enem

Uma história de superação e de esforço pessoal de um garoto comprometido a mudar o próprio destino. É dessa forma que pode ser resumida a trajetória do estudante cearense João Vitor Claudiano dos Santos, de 16 anos. Aluno da Escola Estadual Governador Adauto Bezerra, de Fortaleza (CE), João acertou 172 das 180 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o equivalente a 95% do total da prova. Como comparativo, o menino ultrapassou os 164 acertos da estudante mineira Mariana Drummond, que conquistou o primeiro lugar no Enem em 2013.

Filho da diarista Ana Maria dos Santos, que não sabe ler ou escrever, João e os irmãos sempre valorizaram a oportunidade de estudar: “Ele dormia, em média, quatro horas por dia, passava os finais de semana estudando e quase não assistia televisão. Eu não tive a oportunidade que eles tiveram, mas tentei passar o valor da educação para os meus filhos”, destacou a mãe do estudante em entrevista ao Brasilidade, o Tumblr do Palácio do Planalto.

De acordo com João Vitor, um dos fatores que mais o motivou a estudar foi a ampliação do acesso às universidades públicas no Brasil nos últimos anos por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e da popularização do Enem.

“Eu e meu irmão, o Gerson, a gente estuda muito. Então, desde 2010, a gente viu, com o sucesso do Enem e do Sisu, que as universidades públicas tinham aberto suas portas. Eu e o Gerson enxergamos nessa oportunidade a chance de conseguirmos vencer na vida e de mudar a realidade da nossa família, que é toda do interior e que não tem ninguém que tenha conseguido chegar à universidade”, afirmou. Para alcançar esse objetivo, João Vitor se valeu de sua paixão pela leitura para superar uma das maiores dificuldades atribuídas ao Enem: a extensão dos textos e o tamanho da prova. “O que tem de cansativo no Enem são os textos grandes. Então, minha estratégia foi me adaptar à leitura, ler livros grandes, alguns com linguagem rebuscada”, conta o estudante que começou lendo integralmente os livros didáticos distribuídos gratuitamente pelas escolas públicas. Ele lembra que, a partir do oitavo ano, passou a se interessar também pelos livros clássicos por influências do avô e da mãe:

“Quando eu tinha uns 12 anos, meu avô me deu o livro ‘Caçador de Pipas’ que é um romance extraordinário, daí eu comecei a ver que a leitura não era só fórmula, não era só química, não era só matemática. A minha mãe – que não sabe ler – não deixou que eu esquecesse os clássicos. Quando eu comecei a ler, eu não parei mais. Até hoje eu leio em torno de 80, 90 livros por ano,” contabiliza.

Dificuldades

No entanto, o reconhecimento recente conquistado por seu resultado no Enem não deixa que João Vitor se esqueça das dificuldades que enfrentou durante sua trajetória escolar. Para o estudante, alcançar bons resultados na escola foi a estratégia que adotou para enfrentar o bullying que sempre sofreu em razão do cabelo, da altura e da magreza. Outro episódio que o marcou profundamente foi o fato de não poder ir ao colégio porque seu único tênis havia furado: “Como eu sempre andei bastante para chegar à escola, meu tênis acabou furando. Foi quando eu resolvi não ir ao colégio. As pessoas já me discriminavam antes disso, se eu fosse de chinelo elas iam se distanciar ainda mais, me ‘olhar torto’. Isso me machucava e ainda machuca muito”, afirma. Ao perceber a situação do adolescente, a mãe de João acabou conseguindo comprar um outro calçado para o filho. Essa foi a única vez que o garoto faltou à escola na vida.

Carreira

Apaixonado pela área das ciências exatas e da natureza, João Vitor pretende realizar o sonho de infância de se tornar cientista. Para isso, o estudante planeja cursar a faculdade de Ciências Biológicas em uma importante universidade pública do País e se especializar na área de Biologia Molecular. Ele ainda tem o sonho de participar do Programa Ciência sem Fronteiras do Governo Federal e estudar na Inglaterra ou na Alemanha, segundo ele, os dois países com as pesquisas mais avançadas na área de Biologia Molecular no mundo.

Apoio Escolar

Além do sucesso de João Vitor, a Escola Estadual Adauto Bezerra acumula, nos últimos anos, exemplos de alunos aprovados nas principais universidades do Ceará e do País. Isso se deve à política adotada pela escola de preparar os estudantes com base na qualidade de ensino e em um processo de motivação dos alunos. Só em 2013, quase metade dos alunos matriculados no 3º ano do colégio (244) garantiram o ingresso no Ensino Superior, 144 deles em universidades públicas. Em 2005, esse número não chegava a cinco estudantes.

“Há alguns anos, se você chegava em uma turma de 3º ano e perguntava quem acreditava que ia entrar em uma universidade, quatro ou cinco levantavam mão. Hoje, praticamente 100% dos estudantes da Adauto Bezerra acreditam que é possível se tornar universitário, mudar a sua vida e mudar a vida de sua família”, destaca o professor Monteiro Firmino.

Vencedora do Prêmio Direitos Humanos, estudante carioca evitou que linchamento tivesse consequências mais graves

A carioca Mikhaila Gutierrez Copello, de apenas 22 anos, acaba de receber o Prêmio de Direitos Humanos, a mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas e entidades que se destacam na defesa, na promoção e no enfrentamento às violações dos Direitos Humanos em nosso país.

Mikhaila foi agraciada na categoria Enfrentamento à violência, que compreende a atuação relacionada à garantia do direito à segurança cidadã, bem como as ações de enfrentamento à violência institucional, ao crime organizado e às situações de violência e de maus-tratos a grupos sociais específicos.

No dia 7 de maio de 2014, Mikhaila realizava uma entrevista para a pesquisa que realiza como estudante da UFRJ quando presenciou o linchamento de um homem acusado de roubar um celular, intervindo logo em seguida para evitar uma execução pública no bairro da Freguesia, em Jacarepaguá (RJ).

“Eu estava fazendo a entrevista e de repente ouvi um ‘pega ladrão’. Em um primeiro instante eu tive aquele impulso de me proteger, mas segundos depois percebi que estava acontecendo um linchamento a dois, três metros de mim, e eu vi uma atrocidade acontecendo: um homem já esfacelado, levando chutes e pontapés”, relembra.

A reação de Mikhaila foi proteger o acusado, gerando revolta entre os transeuntes. “As pessoas diziam ‘ele mata por menos que um celular’, mas eu revidava que eles também matariam por menos que um celular. Ao mesmo tempo que eu estava nervosa, chorando, aquela situação me dava mais força para argumentar e defender aquele homem”, afirma.

A premiada defende que o ciclo da violência só pode ser quebrado com atitudes em que o ser humano seja protegido, qualquer que seja a situação. “Aquela atitude representa toda uma ideologia que eu fui cercada a minha vida inteira, e isso vem da educação. Eu não esperava ser tão bem vista por esse tipo de atitude tão polarizadora, ou seja, defender a vida de um assaltante, e na verdade eu não estava reconhecendo ele como o grande causador dos nossos problemas, e sim uma vítima também”, diz.

Zuenir Ventura: personagem, testemunha e narrador da História

Zuenir Ventura é uma testemunha da história. Jornalista, professor e agora imortal da Academia Brasileira de Letras, ele viveu para contar e resgatar a memória de um dos períodos mais sombrios da história recente do Brasil. Seu livro “1968 - o ano que não terminou” é um dos mais célebres registros sobre a época da ditadura militar. A edição especial do Brasilidade traz um personagem cujo papel fundamental tem sido transmitir às diferentes gerações a necessidade de se falar sobre princípios básicos como liberdade e democracia. “Você precisa do passado para entender o presente e para construir o seu futuro”, pondera.

O jornalista diz que até hoje ainda é difícil lembrar do que aconteceu com pessoas próximas; vítimas de perseguições, torturas e mortes. Para escrever “1968”, Zuenir diz que ouviu muitas pessoas e mergulhou em documentos, registros e qualquer outra forma de traduzir, com fidelidade, os episódios e situações históricas. “Em 1987, quando eu estava escrevendo sobre 68, eu só pensava em 68. Quase não lembro do que aconteceu em 87, eu acho que fiquei até meio chato, porque só perguntava às pessoas onde elas estavam e o que elas estavam fazendo em 68”, conta.

Para Zuenir, um dos episódios mais marcantes foi o dia 13 de dezembro daquele ano, quando foi instituído o AI-5, revogando direitos individuais e deflagrando diversas operações de captura, tortura e assassinatos. Ele diz que a censura, as perseguições e o cerceamento à informação foram os principais prejuízos para a sociedade da época. “A matéria prima do jornalista, que é a liberdade, é o ar que a gente respira. Eu acho que o prejuízo maior foi para a sociedade, porque, claro que nós, jornalistas, sofremos muito, mas a sociedade ficou sem saber o que estava acontecendo. Hoje, quando um jovem diz para mim assim: ‘Não, mas olha, hoje também, hoje tem censura do mercado’, eu falo: ‘Olha, você não sabe o que é viver sob censura’, avalia.

Ele lembra do episódio de uma tentativa de tentar retratar o contexto da época sem o veto imposto pela censura. “Tem uma edição histórica do Jornal do Brasil que tenta furar a censura. Saía assim, em cima do jornal, no cabeçalho, ao lado, a temperatura, a meteorologia, e aí a meteorologia daquele dia era assim: ‘Tempo escuro, sujeito a tempestade, não sei o quê’, que era uma forma, era uma tentativa de você passar a informação de que estava sob censura, mas era tudo muito sutil, que o leitor, o leitor médio, ele não percebia. Mas aí começa a tentativa de você passar, de alguma maneira, a informação para o seu leitor, mas era muito difícil”, lembra.

O próprio Zuenir foi vítima da repressão do período. Preso sem nenhuma acusação formal, passou três meses encarcerado, mas não chegou a sofrer nenhum tipo de violência física. “Eu fui preso sem a menor razão, eu não participei de nenhum movimento. Eu acompanhava, eu era professor, eu acompanhava os jovens numa passeata, numa assembleia, mas nada de importante. Não tinha nenhuma importância política e eu fui preso como muitos foram naquela época, sem saber o porquê. Naquele momento você nunca estava livre da ameaça de tortura, você nunca sabia se chegaria o seu dia. Tive a sorte de ser bem tratado, não ser torturado, mas outros amigos meus, não. E é muito triste lembrar disso”, relata.

Passados 50 anos do golpe militar, Zuenir diz que o Brasil avançou em sua democracia ao instituir a Comissão Nacional da Verdade e passar a limpo um dos episódios mais marcantes de sua história recente. “Eu sofria demais vendo outros países que já tinham comissão da verdade e o Brasil se recusava a abrir os seus arquivos, abrir o seu passado. Está sendo feito e está sendo feito com muito critério, está sendo feito sem nenhum espírito de revanche, sem nenhum espírito de vingança. O que está se querendo fazer é exatamente descobrir o seu passado, rever o seu passado, a sua história e não repetir. Aquele ciclo não tinha se fechado ainda, sem a Comissão da Verdade, sem esse balanço ”, diz.